David Eduardo Chab Tarab Baabour

Em 10 de junho de 1976, o jovem David, que tinha prestado o Serviço Militar, foi sequestrado em sua casa, na Argentina, por militares disfarçados de civis, e nunca mais foi visto.

David nasceu na Argentina, filho de pai cubano e mãe brasileira. Ele não fazia nenhuma militância política. Era apenas um estudante de arquitetura que, em março de 1975, aos 21 anos, alistou-se no serviço militar. Pouco tempo depois, foi incorporado como soldado conscrito no Hospital Militar Central Cosme Argerich (HMC). Mas foi exatamente isso que selou o seu fim.

Assim como outros jovens soldados bem comportados, tornou-se assistente do coronel Hilario David Sagasti. Sagasti era chefe da “Agrupación de Tropas” do HMC, o qual, nos anos de 1976 e 1977, funcionou como um dos centros clandestinos de detenção utilizados pela repressão argentina. Eram enviados para lá alguns detentos feridos, mas principalmente detentas grávidas. Ali, os partos eram feitos clandestinamente e procedia-se ao sequestro das crianças, a supressão da sua identidade e a entrega das mesmas a famílias de militares. Em muitos casos, os “pais adotivos” foram partícipes dos assassinatos dos pais e mães das crianças.

Em sua formatura de um ano no Serviço, David foi subitamente informado – verbalmente – de sua baixa. Estava dispensado. Duas semanas depois, no dia 10 de junho, por volta das 10 horas, três jovens vestidos como civis, mas de cabelo bem curto, se apresentaram como colegas de David na portaria do prédio onde ele morava com sua família, mas, justamente naquele momento, ele estava sozinho.

Os jovens foram autorizados a subir e, uma hora depois, saíram do apartamento carregando David nos ombros, com sinais evidentes de espancamento, cena que foi testemunhada apenas pelo porteiro do edifício. Ao voltarem para casa, seus pais foram informados do que tinha acontecido. Encontraram o quarto do filho bagunçado e com as gavetas do armário e do escritório jogadas pelo chão, o que evidenciava que os indivíduos que entraram no apartamento estavam à procura de alguma coisa. Além disso, alguns pertences de David haviam desaparecido.

Naquele mesmo dia, seu pai, Jacobo Chab Tarab, fez a denúncia do sequestro aos órgãos policiais, atitude que a família repetiu dezenas de vezes, além de interpor vários ‘habeas corpus’. Mas apesar de todos os esforços, nunca obtiveram respostas das autoridades militares. David Eduardo permanece desaparecido, assim como quatro outros soldados que trabalharam no HMC naquele período, na mesma função de assistente do Coronel Sagasti.

Sabe-se muito pouco sobre esse coronel, Hilario David Sagasti, apenas que ocupava a função mencionada acima e que, pelo menos 05 (cinco) de seus assistentes, desapareceram, entre eles, David Eduardo. De acordo com o jornal virtual argentino, Página 12, Sagasti morreu em 28 de janeiro de 1987. Ao que parece, seus assistentes devem ter presenciado fatos gravíssimos no HMC e por isso não poderiam permanecer vivos. Ele, típico seguidor da doutrina das forças repressoras – de não dar nenhum valor às vidas humanas que possam ser óbice ao seu projeto de poder – tratou esses jovens integrantes do Serviço Militar como um material descartável.

O Estado argentino reconheceu sua responsabilidade no desaparecimento de David Eduardo e, como homenagem, teve seu nome inscrito no monumento do Parque da Memória, na capital argentina, em Buenos Aires.

– David Eduardo Baabur, presente!

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Fontes: Relatório Final da Comissão Nacional da Verdade, Vol. III, págs. 1.855 a 1.857; e http://www.pagina12.com.ar/2000/00-02/00-02-25/contrata.htm.
* A foto que aparece nesta postagem foi extraída da página do Facebook “Ex-conscriptos del Hospital Militar Central Compañia Comando y Servicio”. É ilustrativa. Não se sabe se David está entre eles. No Relatório da CNV e em outros documentos relativos ao caso que consultamos, não há fotos de David.

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