Um depoimento, por Aluízio Palmar

Estava começando a escurecer, quando na tarde de 11 de maio de 1969, o um tenente coronel Emídio de Paula, saiu da casa onde morava na esquina da Avenida Brasil com a Avenida Jorge Schimmelpfeng, em Foz do Iguaçu, e se dirigiu ao 1º Batalhão de Fronteiras.
Era domingo, e na guarnição do Exército, estava apenas o pessoal do plantão.Com passos firmes, o comandante foi até a cela onde encontra-se presa Isabel Fávero.
Encolhida num canto, desnuda e ensangüentada, a professora imaginou que o coronel ia levá-la novamente para a sala de torturas.
Com um sorriso sarcástico, o coronel bate forte na grade e fala.

  • Está vendo esse doce aqui, é um pedaço do bolo da festa que fizemos em casa. Minha filha fez a primeira comunhão. Ela é uma moça filha de família, que sabe seu lugar na sociedade e não uma mulherzinha que transgride as normas da sociedade ocidental e cristã.
    Dito isso, o Tenente Coronel, voltou pra casa, e a professora continuou no canto da cela, olhando o sangue coagulado em suas pernas, marca do aborto provocado pelas torturas.
    (Texto inspirado no depoimento de Isabel Favero na CNV)

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