Iara Iavelberg

Em 11 de junho de 2006, mais de 30 anos após sua morte, os remanescentes ósseos de Iara Iavelberg, judia, foram finalmente transferidos da ala dos suicidas para serem enterrados com honras religiosas, após uma cerimônia celebrada pelo rabino Henri Sobel, no Cemitério do Butantã, em São Paulo/SP.

Como se pode ver no filme “Em busca de Iara”, lançado em 2014, por sua sobrinha, Mariana Pamplona, Iara era uma jovem alegre, cheia de ideais e que tinha partido para a Bahia em 1971 justamente para preservar sua vida e realizar o sonho de ser mãe. Contudo, ela e seu então companheiro, Lamarca, foram caçados e vitimados pela Operação Pajuçara das forças repressoras.

O casal, que precisava se esconder em cidades diferentes na Bahia, fazia planos de se encontrar e viver juntos, mas isto nunca aconteceu. Iara foi morta em 20 de agosto, sendo que sua morte permaneceu em sigilo. A notícia foi dada somente depois da morte de Lamarca, em 17 de setembro.

A morte de Lamarca foi imediatamente admitida (e comemorada) pela ditadura militar, mas a de Iara permaneceu até 2006 com a versão de que teria se suicidado durante o cerco que sofreu em um apartamento em Salvador/BA.

Como de costume na cultura judaica, a versão dos fatos levou Iara a ser enterrada na área dos suicidas do cemitério, o que fez com que a família Iavelberg, além da dor de ter que assimilar a perda da filha querida, tivesse que conviver com o terrível fato de vê-la sepultada desse modo a partir de uma versão absolutamente inverossímil. Em setembro de 2003, conseguiram realizar a exumação de Iara para perícia do corpo. O exame concluiu que não era possível assegurar que se tratava de suicídio. A CEMDP, ainda na década de 1990, quando da apreciação do requerimento dos Iavelberg, já havia levantado a possibilidade de o episódio não ter se tratado de suicídio, a partir do que havia sido possível apurar por relatos de testemunhas.

Finalmente, em 11 de junho de 2006, a família de Iara, apoiada pelo corajoso rabino Sobel, pôde dar a ela um sepultamento digno de sua religião e de sua história.

– Iara Iavelberg, presente!

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Fonte: Relatório Final da Comissão Nacional da Verdade, Vol. III, págs. 695/700.

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