Dênis Casemiro

18 de maio é a data em que Dênis Casemiro[1] teria morrido. Ele foi mais uma vítima de desaparecimento forçado, que teve como principal responsável o famigerado delegado Sérgio Fleury.

Waldemar Andreu, em depoimento à Comissão da Verdade do Estado de São Paulo, contou que ainda viu Dênis com vida e conversou com ele no DOPS/SP, nesse dia 18 de maio 1971, mas já sabiam que o objetivo das forças de repressão era executá-lo. De fato, na certidão de óbito de Dênis Casemiro, figura a data do falecimento como sendo 18 de maio de 1971. A requisição do exame da necrópsia e do laudo do IML foram realizados no dia seguinte. O óbito, de acordo com essa documentação, teria ocorrido no Hospital das Clínicas de São Paulo e foi ocasionado por “hemorragia interna traumática” desencadeada por projéteis de arma de fogo que causaram ferimentos no tórax, em diferentes partes do abdômen, na mão (atestando também fraturas) e na coxa direita. Mas a família não foi informada sobre sua morte. Ele foi enterrado no cemitério de Perus e acabou sendo colocado na vala clandestina daquele cemitério, em 1976, com centenas de corpos (em torno de 1.500).

Em 1990 a vala foi aberta, graças à então prefeita Luiza Erundina e Dênis foi uma das duas primeiras pessoas identificadas, em 1991. A falta de dentes na parte da frente e o expressivo número de ferimentos e fraturas contribuíram para facilitar o seu reconhecimento.

Nascido em Votuporanga (SP), Dênis Casemiro foi pedreiro e trabalhador rural, tendo integrado o Sindicato dos Lavradores de Votuporanga. Em 1967, mudou-se para São Bernardo do Campo com o objetivo de trabalhar na Volkswagen. Nesse período, ingressou na Ala Vermelha e, posteriormente, na Vanguarda Popular Revolucionária (VPR). Mudou-se novamente, dessa vez para o sul do Pará. Logo depois, passou a viver em Imperatriz, no Maranhão, com o objetivo de implementar a guerrilha rural na região. Em uma de suas viagens a São Paulo/SP, terminou preso.

Dênis Casemiro pertencia a uma família de militantes políticos. Seu pai, Antônio Casemiro Sobrinho, foi militante do Partido Comunista Brasileiro (PCB) e seu irmão, Dimas Antônio Casemiro, fazia parte do Movimento Revolucionário Tiradentes (MRT). Dimas também foi morto em São Paulo, em 1971, teve o cadáver ocultado na vala de Perus, mas a sua identificação veio a ocorrer apenas em 2018, por profissionais do Grupo de Trabalho Perus (GTP).

Fabiano, filho de Dimas, que já havia dado um sepultamento digno ao tio, providenciou para que o pai fosse enterrado no mesmo jazigo, em uma cerimônia organizada pela Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP), Unifesp e Prefeituras de São Paulo e de Votuporanga/SP, em 30 de agosto de 2018, Dia Internacional das Vítimas de Desaparecimentos Forçados.

Os dois irmãos, bravos e idealistas, finalmente descansam juntos e em paz, sob o sol forte de sua terra natal.


[1]    Texto baseado no Relatório Final da Comissão Nacional da Verdade (CNV), Vol. III, pág. 611/614.

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