Stuart Angel

Em 14 de maio de 1971, Stuart Angel Jones foi preso por agentes da ditadura e, depois disso, barbaramente assassinado. Seu corpo foi ocultado e a família sequer foi informada de sua morte.

“Onde está meu filho, onde está meu filho?”, insistia sua mãe, a estilista Zuzu Angel, desde esse dia, como faziam (e ainda fazem) as mães das vítimas de desaparecimento forçado. Mas Zuzu pôde fazê-lo dentro e fora do País. Onde quer que estivesse, ela denunciava os bárbaros crimes do Estado brasileiro com discursos em locais públicos, por meio de sua arte – nos desfiles que promovia – e em audiências em com autoridades estrangeiras.

Houve notícias desencontradas sobre a morte e o destino do corpo de Stuart. Uma das versões foi no sentido de que, após morrer sob tortura, seu corpo teria sido descartado no mar.

Em 1976, Chico Buarque compôs em homenagem a Zuzu, a canção Angélica:

“Quem é essa mulher
Que canta sempre esse estribilho
Só queria embalar meu filho
Que mora na escuridão do mar

Quem é essa mulher
Que canta sempre esse lamento
Só queria lembrar o tormento
Que fez o meu filho suspirar

Quem é essa mulher
Que canta sempre o mesmo arranjo
Só queria agasalhar meu anjo
E deixar seu corpo descansar

Quem é essa mulher
Que canta como dobra um sino
Queria cantar por meu menino
Que ele já não pode mais cantar”

De tanto denunciar os crimes da ditadura, a mãe de Stuart também foi assassinada. O crime foi reconhecido pela Comissão Nacional da Verdade (CNV) no ano de 2014.

– Stuart Angel Jones, presente!

– Zuzu Angel, presente!

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